Entre o que Há

Reunião de cúpula, acordo da luz. Pela emoção, encaminhamento. Orações em looping. Ar trabalhado. Janelas abertas. Todos convidados. 

Oceano, Fluidificai. 

Teça 

ou

Caia na Teia.

Quero saber ser generoso com meus sentimentos, quero não nomear, não categorizar, não agrupar. Quero não criar cenas ou roteiros inteiros, quero não controlar. Quero não fazer deles certos ou errados, momentâneos, do futuro ou do passado. Quero, apenas, sentir, me emocionar, deixar fluir. Talvez isso seja meditar… Também quero nunca mais comer carne, nem derivados animais, não quero usar produtos testados neles, não quero vestir crueldade. Não quero produzir lixo, não quero poluir oceanos, lençóis, nem solos, nem o ar. Não quero asfaltar, não quero geladeira em casa, não quero não ter vista para montanha e para o mar. Não quero andar de elevador,  nem estacionar em garagens, não quero sentir perfume alheio, não quero acordar antes de despertar, não quero usar relógio no pulso nem andar com celular no bolso. Não quero ter celular. Não quero me dizer ter emergências para justificar uma sequencia de vivências incompatíveis que se sustentam apenas porque tenho medo  de nem sei. Não quero mais ter medo. Não quero mais não falar o que penso… o que penso não, o que sinto. Nunca falo do que sinto, nunca encontro palavras, nunca fui estimulado a encontrar, ou a falar… meninos não fazem essas coisas, têm que ser fortes, não choram, não limpam casa, não cozinham, não amam, comem, cagam, sujam e se masturbam. Ouvi muito na minha infância que tinha que tocar punheta para ser macho e para o piru crescer. Tinha que ter piruzão. Me compravam figurinhas de mulher pelada. Nunca achei bonito aqueles peitos enormes e muito redondos. Também nunca pude expressar isso, tive que ser menino. Não podia gostar de brincar com a terra nem com as flores, não podia gostar de estar dentro da casinha com outras meninas se não fosse para passar a mão na bunda delas; eu não queria passar a mão na bunda de ninguém, queria encher o regador e molhar as plantas. Eu gostava do cheiro das plantas e de ficar deitado no sol, em silêncio, respirando prana e… não gostava de artes marciais ou de brincadeiras brutas. Mas me matricularam no judô, no futebol e no basquete. Também nas aulas de inglês e informática. Precisava estar ocupado com coisas úteis, que garantiriam meu futuro e o futuro da minha esposa e dos meus filhos. Eu não podia ser gay, nem gostar de gay, tinha que xingar eles e falar palavrão. Também não podia ser amigo de pobre nem de preto, não pegava bem um menino como eu andar com a gentalha. Se fosse para ter amigo que fosse o filho do fulano tal, que tinha carrão e morava numa mansão. Esses sim eram bons para mim, mesmo que fossem pessoas que só gritavam umas com as outras…. “é assim mesmo, meu filho, trabalho deixa adulto irritado, e as crianças têm que entender isso e têm que se comportar muito bem, criança não pode dar trabalho, você está entendendo isso?.” Sim… Fui ensinado a aceitar o que repudiava e a me afastar do que gostava.  Me ensinaram a dirigir, a beber e a fumar antes dos 13. Fui estimulado a perder a virgindade com uma puta, que faria coisas que menininhas ainda não sabiam fazer, a piranha chuparia meu pau e foderia como gente grande. Triste. Eu nem era gente grande…e… parando para pensar, apesar de “ter tido tudo” – como gostam de dizer –  eu não tive muitas escolhas… não pude sentir como sentia, porque não podia fazer o que queria, tinha que ser macho e não machucado. Vai ver por isso sou fechado, vai ver por isso criei relações onde não me relaciono, vai ver por isso nem sei bem o que faço ou o que sinto… é confuso, e precisa ser limpo. Regenerado ou gerado e gestado apenas por mim. Sim, preciso  mesmo ser generoso e aprender a me deixar fluir.

Que medo…. E que necessário….

entre o tempo

maio 2017
D S T Q Q S S
« abr    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

entre o aqui