Entre o que Há

Sentia que precisava colocar algo para dentro, um pouco mais de ar, de afeto, de movimento. Era preciso recuperar aquilo que fazia girar o corpo no espaço e no tempo. Era preciso um pouco mais, mais de si, mais de organização e de materialização da coisa. Substância. Foi preciso entregar o sangue, enterrar a placenta, deixar para trás o desejo de tudo e aceitar que ao mundo pertence o que está fora do controle. Ao meu alcance, o gestual, o tocar, era disso que precisava, tocar, imprimir digitais, mudar a sequencia, encenar o ato com o corpo novo. Era questão de não precisar nutrir, nem curar, não precisaria ratificar ou estabilizar, justificar ou fazer qualquer sentido, não cabia lógica ou tentativas de resignificação, era preciso simplicidade, saliva, suor e sinceridade. Sinceridade seria o suficiente, seria a inauguração de uma instancia apropriada e de um centro de poder.

pizza de terça requentada na frigideira pro café da manhã.

e o corpo inteiro arrepia com som do que cai do céu.

entre o tempo

dezembro 2016
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